Área de Concentração e Linhas de Pesquisa

O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGCI/UFES) possui como área de concentração Informação, Sociedade e Cultura, à qual se vinculam duas linhas de pesquisa:

Linha 1 — Práticas, Mediações e Políticas da Informação
Linha 2 — Organização, Representação e Sistemas de Informação

A organização em duas linhas busca contemplar a diversidade de objetos, problemas e abordagens da Ciência da Informação, preservando, ao mesmo tempo, uma identidade acadêmica própria para cada linha. As linhas são complementares e permeáveis, não devendo ser compreendidas como compartimentos temáticos rígidos.

Uma mesma temática pode ser desenvolvida em qualquer uma das linhas, dependendo do problema de pesquisa, da perspectiva teórica adotada e da contribuição predominante pretendida. Assim, o tema, o ambiente investigado ou a técnica utilizada não determinam, isoladamente, o enquadramento de uma pesquisa.

De modo geral, a Linha 1 concentra-se principalmente nos sujeitos, nas práticas, nas mediações, nas políticas e nas relações sociais e institucionais da informação. A Linha 2 concentra-se nos processos, métodos, instrumentos, sistemas e infraestruturas relacionados à produção, organização, representação, gestão, preservação, recuperação e análise da informação e do conhecimento.

As dimensões sociais, culturais, políticas, éticas e tecnológicas podem estar presentes nas duas linhas. Da mesma forma, tecnologias e métodos como ciência de dados, análise de redes ou inteligência artificial possuem caráter transversal e podem ser utilizados em pesquisas de ambas as linhas, conforme a finalidade da investigação.

Área de concentração — Informação, Sociedade e Cultura

A área de concentração Informação, Sociedade e Cultura abrange estudos sobre os fenômenos informacionais em suas dimensões sociais, culturais, científicas, educacionais, institucionais, epistemológicas, metodológicas e tecnológicas. Contempla os processos de produção, circulação, mediação, apropriação, uso, organização, representação, gestão, preservação, recuperação e análise da informação e do conhecimento, considerando seus diferentes contextos históricos e sociotécnicos.

Linha 1 — Práticas, Mediações e Políticas da Informação

Investiga os processos sociais, culturais, educacionais, científicos e institucionais de produção, circulação, mediação, apropriação e uso da informação. Examina as relações entre sujeitos, comunidades, organizações e instituições, considerando práticas, políticas, competências, identidades, memória e patrimônio em diferentes contextos históricos e sociotécnicos.

Linha 2 — Organização, Representação e Sistemas de Informação

Investiga os fundamentos teóricos, epistemológicos e metodológicos relacionados à produção, organização, representação, gestão, preservação, recuperação e análise de dados, documentos, informação e conhecimento. Examina os métodos, instrumentos, sistemas e infraestruturas envolvidos nesses processos, considerando seus contextos e implicações sociais, culturais, políticas e éticas em ambientes analógicos e digitais.

A expressão Sistemas de Informação, no contexto desta linha, é utilizada em sentido amplo e não se restringe a software ou ao campo da Computação. Abrange configurações constituídas por pessoas, processos, normas, documentos, dados, instrumentos, serviços, plataformas, infraestruturas e recursos tecnológicos.

Critérios de distinção entre as linhas

A principal diferença entre as linhas não está no ambiente estudado — como arquivo, biblioteca, museu, universidade, organização, plataforma digital, comunidade ou rede social —, mas no ponto de partida da investigação e na contribuição predominante da pesquisa.

Dimensão Linha 1: Práticas, Mediações e Políticas Linha 2: Organização, Representação e Sistemas de Informação
Ponto de entrada Sujeitos, comunidades, práticas, mediações, instituições, políticas e relações socioculturais. Dados, documentos, informação e conhecimento em seus processos de organização, representação, gestão, preservação, recuperação e análise.
Questão orientadora Como sujeitos, grupos, organizações e instituições produzem, compartilham, mediam, regulam, interpretam, apropriam-se ou utilizam a informação? Como dados, documentos, informação e conhecimento são produzidos, organizados, representados, integrados, preservados, recuperados ou analisados por meio de métodos, instrumentos, sistemas e infraestruturas?
Contribuição predominante Social, cultural, educacional, política, histórica ou institucional. Teórica, epistemológica, metodológica, organizacional, representacional, sistêmica ou infraestrutural.
Exemplo de foco Compreender práticas, relações de poder, apropriações, políticas, significados e efeitos sociais. Desenvolver, aplicar ou avaliar princípios, modelos, métodos, instrumentos, sistemas e infraestruturas informacionais.

 

Regra prática de enquadramento

Um projeto tende à Linha 1 quando sua contribuição principal está voltada à compreensão de práticas, sujeitos, relações, mediações, políticas, significados ou efeitos sociais da informação.

Um projeto tende à Linha 2 quando sua contribuição principal está voltada ao desenvolvimento, aplicação ou avaliação de formas de produzir, organizar, representar, gerir, preservar, recuperar ou analisar informação e conhecimento por meio de princípios, métodos, instrumentos, sistemas ou infraestruturas.

Nos casos situados nas zonas de interface entre as linhas, devem prevalecer o problema central da pesquisa, o referencial teórico e a contribuição predominante, e não apenas o objeto estudado ou a técnica empregada.

Exemplos de categorização de temáticas

O quadro a seguir tem caráter ilustrativo e não exaustivo. Seu objetivo é exemplificar como determinadas temáticas podem ser abordadas a partir das perspectivas das duas linhas. Não se pressupõe que todas as temáticas possuam a mesma aderência às duas linhas, nem que os exemplos apresentados esgotem suas possibilidades de investigação.

Temática Linha 1: Práticas, Mediações e Políticas da Informação Linha 2: Organização, Representação e Sistemas de Informação
Regimes de Informação Constituição de regimes, atores, instituições, normas, políticas, relações de poder e disputas que condicionam a produção, circulação, acesso, apropriação e uso da informação. Configuração e funcionamento de fluxos, sistemas, padrões, plataformas e infraestruturas que materializam ou sustentam regimes de informação.
Epistemologia da Ciência da Informação Fundamentos sociais, culturais, históricos e políticos dos fenômenos informacionais; paradigmas, sujeitos, práticas, comunidades e formas de produção e legitimação do conhecimento. Fundamentos ontológicos e epistemológicos da informação, do documento e do conhecimento, bem como da organização, representação, recuperação e dos sistemas de informação.
Práticas e comportamento informacional Necessidades, busca, produção, compartilhamento, apropriação e uso da informação por sujeitos e comunidades em diferentes contextos sociais, culturais e institucionais. Sistemas, serviços e recursos informacionais desenvolvidos ou avaliados em relação às necessidades, comportamentos e interações dos usuários.
Mediação e competência em informação Processos de mediação, formação de competências, autonomia informacional, leitura crítica, inclusão e relações entre sujeitos, informação e instituições. Desenvolvimento e avaliação de sistemas, interfaces, recursos e ambientes informacionais voltados ao acesso, à mediação e ao desenvolvimento de competências.
Políticas de Informação Formulação, implementação e avaliação de políticas; direito e acesso à informação, atores, instituições, regulação, governança e relações de poder. Padrões, sistemas, fluxos e infraestruturas utilizados para implementar, operacionalizar ou avaliar políticas de informação.
Sistemas de Informação Apropriação e uso de sistemas, práticas dos usuários, impactos organizacionais e sociais, governança e relações institucionais. Concepção, arquitetura, desenvolvimento, integração, avaliação e evolução de sistemas voltados à produção, organização, gestão, preservação, recuperação e acesso à informação.
Memória e patrimônio Construção social da memória, políticas de memória, identidades, silenciamentos, patrimonialização, mediação, apropriação e usos sociais do patrimônio. Descrição, organização, representação, metadados, digitalização, curadoria, integração, interoperabilidade, preservação, recuperação e acesso a acervos culturais.
Gestão da Informação Cultura e práticas informacionais, políticas, governança, sujeitos, competências, relações organizacionais e processos decisórios. Fluxos e processos informacionais, arquitetura, qualidade, integração, gestão de dados e informação, sistemas de informação e apoio à tomada de decisão.
Humanidades Digitais Práticas e mediações culturais digitais, acesso e apropriação das tecnologias, participação, comunidades, memória, patrimônio, identidades, inclusão, desigualdades e implicações sociais e éticas. Edição e publicação digital; digitalização, curadoria, organização, representação e modelagem de dados culturais; análise computacional de textos, imagens e redes; visualização e georreferenciamento; interoperabilidade, dados ligados, preservação e infraestruturas digitais de pesquisa.
Ciência Aberta Políticas de informação e ciência aberta, práticas e culturas científicas, incentivos e barreiras ao compartilhamento, participação, equidade de acesso e relações entre ciência e sociedade. Gestão e curadoria de dados de pesquisa, repositórios, metadados, princípios FAIR, identificadores persistentes, proveniência, interoperabilidade, preservação, reprodutibilidade e infraestruturas abertas.
Organização do Conhecimento Dimensões sociais, culturais, políticas e éticas da organização do conhecimento; vieses, decolonialidade, relações de poder, comunidades e políticas de classificação, representação e indexação. Fundamentos e métodos de classificação e indexação; desenvolvimento e avaliação de taxonomias, tesauros, ontologias, sistemas de classificação, linguagens documentárias, modelos conceituais e mecanismos de interoperabilidade.
Gestão e preservação documental Políticas documentais e de memória, acesso, transparência, direitos, patrimonialização, governança documental, mediação e função social dos arquivos. Classificação, avaliação e descrição documental; modelos e sistemas de gestão de documentos; documentos digitais, metadados, autenticidade, integridade, proveniência, repositórios, curadoria e preservação digital de longo prazo.
Cienciometria e estudos métricos Políticas de avaliação científica, culturas acadêmicas, desigualdades, colaboração, reconhecimento, usos e efeitos dos indicadores e suas implicações para a ciência. Produção e análise de indicadores bibliométricos, cientométricos e altmétricos; tratamento de bases, análise de citações, colaboração e redes temáticas, mapeamento da ciência e visualização.
Comunicação científica Práticas de produção, autoria, publicação, avaliação, mediação, circulação, apropriação, acesso aberto e comunicação pública da ciência. Sistemas e fluxos editoriais, periódicos e repositórios digitais, metadados, indexação, identificadores persistentes, interoperabilidade, preservação e infraestruturas de comunicação científica.
Acervos digitais Políticas de acesso, mediação cultural, participação das comunidades, apropriação, reutilização, representatividade, identidades e memória social. Digitalização, organização e representação, metadados, enriquecimento semântico, interoperabilidade, dados ligados, curadoria, preservação digital, recuperação e sistemas de acesso.
Ciência de Dados Dataficação e usos sociais dos dados, governança, ética, privacidade, transparência, desigualdades, participação e uso de evidências em processos decisórios. Coleta, preparação, integração e qualidade de dados; modelagem, mineração e análise estatística e computacional; visualização, métodos de extração de conhecimento e processos reprodutíveis de análise.
Web Semântica e dados ligados Políticas de acesso, apropriação social, participação de comunidades na representação do conhecimento, diversidade cultural, vieses e implicações éticas das representações digitais. Metadados e vocabulários semânticos, ontologias, RDF, dados ligados, grafos de conhecimento, alinhamento semântico, interoperabilidade, proveniência, inferência e consultas estruturadas.
Inteligência Artificial Impactos sociais, vieses, ética, transparência, governança, privacidade, apropriação, mediação algorítmica, competências informacionais e transformações do trabalho. Métodos e sistemas de IA aplicados à organização, classificação, indexação, geração de metadados, extração de informação, recomendação, recuperação e representação do conhecimento, bem como sua avaliação.
Recuperação da Informação Comportamento e práticas de busca, necessidades informacionais, julgamentos de relevância, experiência dos usuários, acessibilidade e barreiras de acesso à informação. Modelos de recuperação, indexação e ranqueamento, formulação e processamento de consultas, interfaces, recomendação, busca semântica ou baseada em IA e avaliação de sistemas de recuperação.
Redes sociais e de informação Práticas de interação e colaboração, circulação e difusão da informação, formação de comunidades, influência, participação, relações de poder e dinâmicas sociais e institucionais. Modelagem e construção de redes, métricas e centralidades, detecção de comunidades, análise estrutural e temporal, redes bipartidas e multimodais, algoritmos e visualização.
Desinformação Produção, circulação, recepção e apropriação da desinformação; confiança e credibilidade, mediação, competências, políticas, regulação, impactos sociais e estratégias de enfrentamento. Métodos de detecção, classificação e verificação; representação de alegações e evidências, proveniência e rastreabilidade, avaliação de fontes, recuperação, grafos de conhecimento e avaliação de sistemas de apoio à verificação.

 

 

Atualizado em 14.09.2026

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